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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sete Anos Depois... / Fábio de Carvalho Maranhão

XXIV

Em 2010, quando compus a canção “Serinhaem Danado”, precisamente no dia 16 de junho, versei inquietações minhas acerca de uma iminente ameaça de enchente, e pude sentir no meu peito e mente uma espécie de percepção profética, que não me perturbou de antemão, porém, me fez refletir e concluir que as coisas acontecem nãoapenas porque tem que acontecer, mas porque para tudo há um ou mais propósitos. Dois dias depois, há 18 de junho, a enchente foi concretizada.
As águas vieram e passearam pelo seu lugar comum desfazendo muitas coisas que os homens modificaram, incluindo vaidades, maus costumes e soberbas.
Não acredito que sejam castigo Divino certas situações catastróficas. Deus, na sua inteira e diviníssima bondade, creio, não deseja castigar ninguém. Os homens, compreendo, castigam-se a si próprios quando cavam suas sepulturas para enterrarem seus princípios éticos e morais antes de desencarnarem. Mas o que desejo narrar aqui não são críticas acentuadas à humanidade, pois mesmo existindo aqueles que se acham perfeitos, vivem e sempre viverão aqueles que reconhecem humildemente sua pequenez e efemeridade física. O importante mesmo é saber que o que deve prevalecer é a dignidade moral e exemplo ético, mas sempre, com a visão de que, nem sempre, culturalmente falando, aquilo que é correto e justo para alguns, para outros não é justo e correto. Refiro-me aqui às culturas que variam de país para países, comunidades e grupos étnicos.
Vejamos:
Muita gente que, no corre-corre durante a invasão das águas, repetiram hoje, 28 de maio, dia do aniversário de um caro amigo de infância, Luiz Alexandre Cabral, as cenas angustiantes. Comerciantes transportando suas mercadorias para lugares seguros, carros de som fazendo terrorismo necessário nas ruas da cidade, barreiras deslizando e caindo. O que mudou? A data! Algumas pessoas, é certo, não estão mais aqui, para ver e viver este triste momento que amargura a gente das regiões envoltas a Cortês. Meu Pai, Carlos A. de A. Maranhão, quando dormiu aqui em casa, no quarto que fora do meu filho Herbert e que será do esperado Helder. Antes de deitar, jantamos às 22h30min na cozinha, e entre uma prosa e outra, guardei a frase do Meu Querido, me Velho, meu Amigo, quando em um olhar meio desviado e contido me falou, do seu jeito, com a sua forma de falar:


Foi ou não foi uma lapada certeira? Meu Pai sempre me surpreendeu. Eu tenho tudo guardado aqui na minha mente. Depois que ele desencarnou em 2015, dois meses antes de o seu primeiro neto nascer, meu filho Herbert, eu pude saber quanto vale um Pai.

         Vendo aqui, hoje, todo esse corre-corre de gente, em meio às chuvas, eu me lembrei de tudo outra vez, quando sete anos antes, eu ainda tinha meu Pai perto de mim para comer na minha mesa e dormir na minha cama de solteiro enrolado no meu cobertor de lã, verde, cor da esperança...

Fábio de Carvalho [Maranhão]
28/05/2017 - 21h19min - 21h37min - Domingo, Cortês-Pernambuco.

Escritório de Trabalho [Biblioteca Particular]


Foto: Eu, Fábio de Carvalho Maranhão e Carlos A. de A. Maranhão, meu Pai.

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PS.: CRÔNICA escrita domingo (28/05) e publicada na segunda-feira (29/05) devido a falta de sinal de internet por causa das chuvas aqui na região.

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